Extremamente alto & incrivelmente perto
Categoria: Blog, Leituras

“Comecei a inventar coisas e depois não consegui mais parar, como os castores, sobre os quais sei tudo. As pessoas acham que eles derrubam árvores para construir represas, mas na verdade é porque seus dentes nunca param de crescer, e se não fossem gastos no corte de todas aquelas árvores os dentes cresceriam para dentro do rosto deles, o que os mataria. O meu cérebro estava assim.” (p.47)

“Quando eu tinha a sua idade, meu avô me comprou um bracelete de rubi. Era grande demais para mim e ficava escorregando para cima a para baixo no meu braço. Era quase um colar. Mais tarde ele me contou que havia pedido ao joalheiro para fazer daquele jeito. Era para o tamanho ser um símbolo do seu amor. Mais rubis, mais amor. Mas eu não podia usá-lo com conforto. Não podia usá-lo de maneira alguma. Então aqui está a essência de tudo que venho tentando dizer. Se você dar a você um bracelete, agora, eu tiraria a medida de seu pulso duas vezes”. (p.92)

“Porque se contasse para alguém o que vi, aquilo ia deixar de me pertencer”. (p.93)

“Se precisasse escrever sua história de vida, tudo o que eu poderia contar é que seu marido podia falar com os animais e que eu jamais devia amar alguém tanto quanto ela me amava. Então a minha pergunta é essa: O que fazíamos todo aquele tempo que passávamos juntos, já que não estávamos nos conhecendo?” (p.120)

“Gosto de ver as pessoas se reencontrando, talvez seja uma bobagem minha, mas o que posso dizer, gosto de ver uma pessoa correndo ao encontro de outra, gosto dos beijos e do choro, gosto da impaciência, das histórias que a boca não é rápida o suficiente para contar, dos ouvidos que não são grandes o suficiente , dos olhos incapazes de captar todas as mudanças, sento ao canto com meu café e escrevo em meu caderno, examino os horários de vôos que já memorizei, observo, escrevo, tento não recordar da vida que não queria perder, mas perdi e da qual agora preciso recordar, ficar aqui enche meu coração de muita alegria, mesmo não sendo minha própria alegria, e ao fim do dia encho a mala com notícias velhas”. (p.124)

“quer saber se eu a amo, isso é tudo que todo mundo quer dos outros, não o amor em si, mas o conhecimento de que o amor está presente” (p.145)

“Eu não sabia dizer o que ele estava sentindo, porque não falava a língua de seus sentimentos.” (p.263)

FOER, Jonathan Safran. Extremamente alto & incrivelmente perto. Rio de Janeiro: Rocco, 2006

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