Caminhadas
Categoria: Blog, Cidade

Um dos objetivos do ano é cultivar a prática diária de exercícios, que tem se dado, na maioria das vezes, por meio das caminhadas. Como dar voltas em praças é desanimador, tenho procurado aliar minhas caminhadas a tarefas que envolvam deslocamentos.

Ontem eu fui e voltei a pé do correio, o que resultou em uma caminhada de 50 minutos. Hoje a ideia era caminhar até a Casa do Padeiro, que fica na Avenida Assis Brasil, para comprar um rolo de abrir massa e uma tela de assar pizza pro Bruno, que está concluindo seu curso de pizza. Liguei para lá e eles não tinham a tela. Indicaram o Ponto das Padarias, que fica na Av. Sertório – a princípio um território não indicado para pedestres.

Pensei em ir caminhando até a casa dos meus avós para pegar o carro emprestado e então poder chegar ao meu destino com segurança. O carro não estava disponível. Dei uma olhada no trajeto. Previsão de 32 minutos de caminhada. Resolvi encarar.

Coloquei o essencial no bolso da bermuda e, em passos largos, desci a Dom Pedro II. Foi confuso atravessar as ruas na área do viaduto José Eduardo Utzig, que passa por cima da Avenida Benjamin Constant. O estado de conservação da área abaixo do viaduto chama atenção tanto pelas depredações quanto pelos enjambres oficiais.

Entrei na Avenida Souza Reis e a partir dali o território me era desconhecido como pedestre. A primeira quadra era longa e deserta. Uma escola estadual fechada, devido às férias de verão, e estabelecimentos comerciais vazios com placas de aluga-se. Seguindo, fui cruzando com outras pessoas e descobrindo entre as construções abandonadas e as oficinas e revendedoras de carros, casas ainda habitadas, com pátio e sem grades nas janelas, e pequenos edifícios com jardins bem cuidados.

Existem áreas da cidade que muitas vezes, por serem desconhecidas, tornam-se ameaçadoras em nosso imaginário e assim as fronteiras vão sendo criadas. Os limites devem ir sendo ampliados e o desconhecido, ao invés de ser ameaçador, deveria ser instigador.

A relação do pedestre com a cidade é completamente diferente da relação motorizada e me parece injusto ter que viver em uma cidade na qual não se tem segurança para se ir onde se quer; uma cidade na qual não se tem permissão temporal para explorações, descobertas e para o desfrute. O desfrute, no caso da caminhada de hoje, se deu pelo caos, pelo fora de lugar, pelo não cumprimento funcional. E é assim que tem sido minha relação com a cidade em que vivo: uma constante provocação à minha mania de organização.

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