O Retrato, 1841-2
Categoria: Leituras

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Pouco lhe importava que se criticasse seu caráter, sua falta de tato e que a modéstia de suas roupas fizesse ruborizar seus confrades: ele se importava muito pouco com a opinião deles. Devotado de corpo e alma à arte, desprezava tudo o mais. (p.93)

Um instante bastara para revelar todo o seu ser. Sua juventude parecia lhe ter sido devolvida, os lampejos e seu talentoestavam prestes a se reacender. A viseira havia caído de seus olhos. Deus! perder desta forma seus melhores anos, destruir, apagar este fogo que florescia em seu peito e que, desenvolvido em todo seu fulgor, talvez fizesse com que também ele arrancasse lágrimas de reconhecimento! E matar tudo isso, matá-lo implacavelmente. (p.95)

2 comentários

  1. “O Retrato” é um lado menos farsesco do Gogol. Não que os outros escritos não sejam sérios, mas nesse conto ele tem uma especial habilidade em narrar a angústia com menos malabarismos e mais paixão.

    “O Nariz” também é imperdível.

  2. Russos são imperdíveis. :-)

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