É a chave amarela que abre o portão
Categoria: Educação

Ontem comecei a dar aula de fotografia para minha terceira turma de um Colégio – o mesmo em que estudei a maior parte da minha vida. Peguei o ônibus no mesmo horário em que pegava quando ainda era aluna e fiz o mesmo trajeto a pé: o Colégio São João, o prédio da Rachel, o terreno baldio onde um dia foi a creche da minha irmã, a calçada onde um dia encontrou-se um rolamento e, enrolando, fui chegar em casa duas horas atrasada e, para terminar, a fatal lomba da Sogipa. Subi a lomba, cheguei sem fôlego. Peguei a chave da Casa de Cultura e Arte, a chamada, fiz as cópias dos textos, larguei o material na sala e fui ao encontro dos alunos.

Dentro da sala sentamos em círculo e, ouvindo os alunos se apresentarem, falando sobre seus interesses e expectativas, eu procurava em cada rosto alguma semelhança com os meus colegas da década de 90. A malandragem dos guris, que guardam o material antes da aula terminar, as gurias que não param de falar um minuto, os apelidos. Ao mesmo tempo também ia me procurando – o que de mim ficou nessa sala vazia? – e, ao ouvir uma das meninas que quer ser fotógrafa falar, alguns planos passados vieram à tona.

Nunca mais vamos nos encontrar, porque nunca mais somos o que fomos. E isso sempre vai acontecer, cada vez que eu caminhar por aquelas ruas, passar na frente do Colégio ou entrar em sala de aula como professora. Saudosista, eu sei, mas o que fazer se aí encontro uma chavezinha mágica que me abre portas, permitindo reviver tudo de novo?

Um comentário

  1. Mari disse:

    Pois é, a vida é assim…
    Também qdo olhos essas meninas cheias de risos, brilho nos olhos, me pergunto: – onde foram parar meus sonhos????

Deixe um comentário