Notas de alegria e tristeza de uma observadora
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Uma das coisas mais interessantes que tenho feito, aproveitando minha situação de mediadora, é observar as pessoas que visitam a exposição. Nos primeiros dias da mostra me deliciei principalmente com os pais e avós que acompanhavam suas crianças. Lembro muito bem da imagem de um senhor baixinho e elegante, que acompanhava sua neta, gordinha e vestida de cor-de-rosa. A identificação do caráter vestida para passeio me garante um sorriso. Isso pode parecer bobo, mas essas pequenas coisas, que demonstram cuidado e carinho – no caso o capricho da menina que se arrumou para sair com o avô e a dedicação do avô que levou sua neta para passear – me deixam feliz e com vontade de sair cumprimentando e abraçando todo mundo.

Com a presença constante das escolas, tenho me divertido com as crianças. Aliás, a melhor coisa que tem é fazer mediação para elas, porque a gente pode dramatizar e fantasiar um monte. O que eu mais gosto de observar é a maneira como elas chegam à exposição. É muito legal conseguir perceber através das crianças o cuidado que suas mães têm. Quando chegam as escolas, principalmente as dos bairros mais distantes e do interior do estado, eu quase choro ao ver que as crianças se arrumaram para o passeio com a turma, o que pode ser encarado como uma valorização do evento. E quando alguém traz uma sacola cheia de salgadinho, bolacha, refri e bala, me alegro, por ver ali, naquela sacola que, com dificuldade as crianças têm que deixar na chapelaria, o carinho e o cuidado de suas mães.

Por outro lado, quando temos que lidar com crianças, adolescentes e adultos mal educados, que não têm limites, educação e respeito por ninguém, a vontade que tenho é de desistir de tudo e ir pra bem longe, para um lugar onde eu não precise interagir com ninguém mais. E isso pode parecer exagero, mas não é. A cada dia me surpreendo mais com a superação de limites no que diz respeito à postura e comportamento dentro de um espaço expositivo. Pasmem, mas colocar o dedo na obra que esta ali para ser vista com os olhos é fichinha perto do que andam aprontando.

Um comentário

  1. edna disse:

    oi julia, tudo bem?

    achei que isso poderia te interessar:
    http://blog.uncovering.org/archives/2008/04/maquinas_fotograficas.html

    grande abraço!

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