O que passou
Categoria: Arte, Deutschland, Viagem

Passei três dias da semana passada em Berlin, na casa da minha amiga Corinna. Fui e voltei de carona, para poder pagar um terco do preco da passagem de trem e descobri o preco do silêncio. Na ida, o motorista nao parou de falar abobrinha e na volta, o motorista ligou o som no volume máximo para evitar qualquer tipo de interacao. Por outro lado, fui surpreendida pelo destino. Na ida, três artistas de Dresden pegaram carona no mesmo carro que eu. Eles estavam indo para Berlin para a abertura de uma exposicao de fotografias de arquitetura. Demonstrei interesse e me deram um convite.

Meu primeiro destino foi o museu Hamburger Bahnhof, que estava com mais da metade de sua área fechada. Rolou uma deprê, mas havia uma exposicao do Fluxus que valeu à pena, pois nunca tinha visto nada do grupo. No final da tarde encontrei com a Corinna, falei sobre a abertura da exposicao, ela topou e nós fomos.

Nos dois dias seguintes caminhamos muito e fomos em duas feiras de artesanato e coisas usadas diferentes. Fui em várias partes de Berlin que eu nao conhecia e fiquei longe de qualquer programa turístico. A mesma cidade, uma nova experiência.

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Na terca-feira da semana passada me mudei. Há uma semana estou na casa nova, esperando a chegada do marido. Apesar disso continuo freqüentando a cozinha da antiga moradia. Um dia depois da mudanca já estava lá, fazendo janta coletiva com o pessoal. Depois dos aspargos e da sopa russa, rolou um estrogonofe.

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No último sábado fui a Leipzig, que fica a 116 km de Dresden, conferir o 3 Festival Internacional de Fotografia. Eu anotei o endereco errado, ou melhor, colocaram o endereco errado no site, e fui parar onde as duas edicoes anteriores foram organizadas: um complexo de fábricas em uma área isolada da cidade onde tem vários ateliês, exposicoes e festas. Como nao queria perder muito tempo, nao vi muita coisa, apesar do lugar parecer ser genial.

As exposicoes do Festival estavam rolando direto no centro em um edifício super antigo e abandonado, escadas de madeira e paredes descascando. Clima total! Isso é uma licao que vai ficar desta estadia, tanto por esta exposicao, quanto pela Bienal de Veneza. A falta de uma estrutura perfeita nao pode ser motivo para se deixar de fazer alguma coisa. De qualquer forma as paredes de gesso estavam lá. Flexibilidade. A mostra era bem grande e a maioria das fotografias dependiam dos textos que as acompanhavam.

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No domingo fui para Pirna, que é uma pequena cidade que fica a 25 km de Dresden, com uma colega bolsista e mais uma amiga dela. Chegando lá descobrimos que estava acontecendo o Dia da Cultura. Palco montado na rua, ateliês abertos, exposicoes e atividades.

Em um Biergarten conhecemos a Ariana, que trabalha com feltro e estava com uma banquinha ensinando e mostrando um pouco do seu trabalho. Ficamos mais de uma hora com ela, transformando um algodao-doce colorido de la em um lindo colar de pérolas. Elas nos indicou uma exposicao com fotografias de paradas de ônibus de vários lugares do mundo.

Depois de um tempo, chegou o seu marido e suas três filhas com sardas e cabelos loiros-ruivos. Como eles também iam visitar a exposicao, ela sugeriu que fôssemos junto. Se tívessemos programado, o passeio nao teria sido tao bom! O marido da Ariana e as gêmeas nos mostraram e falaram sobre a cidade e nos levaram em vários lugares. Incrível como as pessoas têm o poder de fazer a diferenca. Cabeca aberta e um bom coracao.

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