Viajo porque preciso, volto porque te amo
Categoria: Cinema

O filme, com nome sedutor, aparenta seguir uma série que pequenas regras, que dão a ele unidade e reforçam a proposta de uma jornada solitária. São poucos os contatos feitos com a câmera, que observa muito e interage pouco. Nós espectadores, seguimos em silêncio ouvindo apenas os pensamentos e músicas do Geólogo e vendo o que ele vai encontrando pelo caminho. Com neutralidade e sem exageros, comumente presentes em filmes brasileiros que se passam no nordeste, nos deparamos com o vazio, o isolamento, a conformidade. A fotografia é belíssima, com destaque para a cena em que acontece a montagem da feira, mas com ressalva às estratégias de sobreposição de imagens e câmera lenta – artifícios que por si só garantem um toque de poesia a cenas não tão belas também. Com imagens não tão trabalhadas, mas com maior sinceridade e sensibilidade, a reflexão feita sobre as diferenças e equilíbrio na relação entre o Geólogo e a Botânica, as rochas e as flores, foi uma das passagens que mais gostei. Por fim, uma desilusão. Parte-se de uma homenagem ao amor, mesmo que à dor e à tentativa de esquecimento de um amor que impôs seu fim, em uma viagem tão infinita e árida quanto o sentimento pode se revelar. Por fim, quando se encontra a saída trazida pela vontade de recomeço, são dois pacotes de camisinha e a companhia de prostitutas que trazem satisfação e indicam a mudança dos tempos, preenchendo dias vazios em terras vazias. A viagem, que rumava ao interior, acaba com o fortalecimento do macho depois de uma boa foda. Nada acontece de maneira escrachada, bem pelo contrário. O filme, com suas supostas regras, é politicamente correto. São cenas bonitas e naturalistas que dão tempo e espaço às prostitutas, todas com mais de 18 anos, o que parece que se fez questão de deixar claro. Excluindo a perfumaria mulher-Brasil-prostituição, Viajo porque preciso, volto porque te amo proporciona uma boa viagem.

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